Comportamento do viajante muda e prioriza curadoria, propósito e uso inteligente do tempo em vez de acúmulo de destinos
Mulheres influenciam ou decidem mais de 70% das viagens no mundo, enquanto 76% dos viajantes globais afirmam priorizar experiências em vez de bens materiais, segundo o Traveller Value Index 2024, da Expedia Group. Os dados ajudam a explicar a transformação em curso no turismo internacional, em que o conceito de luxo deixa de estar associado à ostentação e passa a ser definido pela qualidade da experiência, pela curadoria e pelo planejamento estratégico da viagem.
A empresária e curadora de viagens Carmita Ribeiro, idealizadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo, afirma que essa mudança reposiciona o setor e altera a lógica de consumo. “Viajar deixou de ser sobre quantidade de destinos e passou a ser sobre qualidade das escolhas. O luxo hoje está na experiência bem construída e no uso inteligente do tempo”, diz.
Com vivência em mais de 65 países, a especialista observa que o turismo de experiência ganhou força à medida que o viajante passou a rejeitar roteiros padronizados e a buscar propostas alinhadas ao seu momento de vida. Esse movimento tem impulsionado serviços personalizados, hospedagens autorais e experiências culturais mais profundas, em substituição a agendas intensas e pouco conectadas com o perfil de quem viaja.
O avanço desse modelo também está relacionado ao excesso de informação disponível. Diante de avaliações contraditórias e múltiplas opções, cresce a demanda por curadoria baseada em vivência real, capaz de reduzir incertezas e evitar erros ao longo da jornada. “O custo de uma decisão mal feita em uma viagem de alto padrão é alto, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Por isso, planejar bem passou a ser parte essencial da experiência”, afirma.
Esse comportamento impacta diretamente a cadeia do turismo. Operadoras, hotéis e marcas de hospitalidade passaram a investir em atendimento consultivo, inteligência de planejamento e personalização como diferenciais competitivos. A experiência deixa de ser um produto fechado e passa a ser construída de forma mais estratégica, com foco em previsibilidade, conforto e coerência.

A maturidade do público também contribui para essa mudança. Viajantes com maior repertório e autonomia financeira tendem a priorizar equilíbrio, bem-estar e profundidade cultural, em vez de volume de atividades. A viagem passa a ser organizada com pausas, escolhas mais criteriosas e experiências que ampliem o repertório. “O luxo hoje está em saber exatamente o que faz sentido viver em cada lugar. Não é sobre fazer mais, mas sobre fazer melhor”, diz Carmita.
Nesse cenário, a curadoria se consolida como um dos principais ativos do turismo contemporâneo. Mais do que selecionar destinos ou hotéis, ela organiza a experiência de forma coerente com os objetivos do viajante, reduzindo fricções e ampliando o aproveitamento. O planejamento deixa de ser operacional e passa a estruturar toda a jornada.
A consolidação do turismo de experiência indica uma mudança estrutural no setor. Ao priorizar significado, segurança e personalização, o viajante redefine o próprio papel da viagem, que deixa de ser apenas deslocamento e passa a integrar decisões de vida, bem-estar e construção de identidade. “Quando existe intenção, a experiência deixa de ser passageira e passa a fazer parte de quem a pessoa se torna”, conclui.
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