Envelhecimento da população e limitações de mobilidade impulsionam modelo que amplia acesso à saúde bucal e abre nova frente de atuação para clínicas
O Brasil envelhece e amplia a pressão sobre serviços de saúde adaptados. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que pessoas com 60 anos ou mais representam cerca de 15% da população, com crescimento contínuo nas próximas décadas. Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo, muitas delas com acesso limitado a tratamento contínuo.
A combinação desses fatores tem impulsionado a odontologia domiciliar como alternativa para pacientes com mobilidade reduzida ou em condição de dependência.
Dra. Cristiane Vasconcellos, cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora da Odontolar, afirma que o atendimento Home Care odontológico surge como resposta direta a essa demanda. “Existe uma parcela significativa da população que simplesmente deixa de tratar a saúde bucal porque não consegue sair de casa. Quando levamos o atendimento até o paciente, não estamos apenas oferecendo um serviço, estamos devolvendo acesso e dignidade”, diz.
Com mais de duas décadas de atuação, a especialista destaca que o modelo evoluiu e hoje permite a realização de procedimentos com padrão clínico elevado fora do consultório. Equipamentos portáteis, protocolos específicos e o uso de tecnologias de alto padrão ampliaram o alcance dos atendimentos. “A odontologia domiciliar deixou de ser limitada. Hoje conseguimos executar tratamentos com segurança e conforto, respeitando as condições de cada paciente”, afirma.
Além de ampliar o acesso, o formato reduz riscos associados ao deslocamento, especialmente entre idosos, pessoas com deficiência e pacientes em recuperação. “O simples ato de sair de casa pode representar um risco para quem tem mobilidade comprometida. O atendimento domiciliar elimina esse obstáculo e garante uma continuidade do cuidado”, aponta.
Do ponto de vista de mercado, o serviço também abre espaço para expansão de clínicas e profissionais. A adaptação, no entanto, exige estrutura e planejamento. “Não se trata apenas de deslocar equipamentos. É necessário treinamento, protocolos e organização para manter o padrão de qualidade fora do consultório”, explica.
A especialista aponta cinco cuidados essenciais ao contratar odontologia domiciliar para idosos e pacientes acamados
A adoção do modelo exige critérios claros tanto para os profissionais quanto para pacientes e familiares. Alguns cuidados ajudam a garantir qualidade, segurança e continuidade no tratamento.
- Avaliar a qualificação do profissional
A formação, as especializações e também a experiência em odontogeriatria, atendimento hospitalar, pacientes com deficiência ou pacientes com mobilidade reduzida são determinantes para a segurança do procedimento.
- Verificar a estrutura e os equipamentos utilizados
O atendimento domiciliar deve contar com equipamentos portáteis adequados, atualizados e revisados, além de protocolos que garantam condições equivalentes às de um consultório, dentro das limitações do ambiente.
- Entender o escopo dos procedimentos realizados
A maioria dos tratamentos podem ser feitos em casa. A avaliação clínica prévia define o que pode ser realizado com segurança no domicílio e o que exige ambiente clínico ou hospitalar.
- Observar os protocolos de biossegurança
O cumprimento rigoroso de normas sanitárias, esterilização e organização do atendimento é indispensável para evitar riscos ao paciente.
- Garantir acompanhamento e continuidade do cuidado
O atendimento não deve ser pontual. A organização de retornos, monitoramento e registro clínico contribui para a evolução do tratamento e a qualidade de vida do paciente.

A ampliação da odontologia domiciliar acompanha uma transformação mais ampla na prestação de serviços de saúde, com foco em acessibilidade e personalização do cuidado. Para Cristiane, a tendência é de crescimento diante do envelhecimento da população e da necessidade de soluções mais adaptadas. “O cuidado precisa ir até onde o paciente está. Quando conseguimos fazer isso com qualidade, ampliamos o alcance da odontologia e melhoramos a vida das pessoas”, conclui.
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