Cresce o uso de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida no Brasil e mudanças no volume facial exigem planejamento estético mais criterioso
O uso de medicamentos como Ozempic, à base de semaglutida, e Mounjaro, composto por tirzepatida, tem avançado no Brasil como estratégia para controle de peso. Dados do Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, mostram que 57% dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso e cerca de 22% vivem com obesidade. A ampliação do acesso a fármacos para emagrecimento ocorre diante desse cenário e já produz reflexos além da balança.
A perda acelerada de gordura corporal atinge também o rosto, reduzindo volume nas regiões malar e mandibular, aprofundando sulcos e alterando a dinâmica do sorriso. A expressão “Ozempic face” passou a ser utilizada por especialistas internacionais para descrever esse efeito.
Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, empresária e mentora de profissionais da saúde, afirma que a perda acelerada de gordura corporal atinge diretamente o rosto e altera a lógica da harmonização facial. “Quando o emagrecimento acontece de forma rápida, há diminuição do suporte natural. Se o profissional não reavalia proporções e estrutura muscular, pode exagerar na reposição de volume e comprometer a naturalidade”, diz.
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de procedimentos estéticos, segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery, que registrou mais de 2 milhões de procedimentos no país em seu levantamento global mais recente. Parte dessa demanda envolve preenchimentos e bioestimuladores, justamente os procedimentos mais procurados após perda de peso.
Ela explica que o planejamento precisa ser integrado. “Não é apenas preencher. É entender o novo desenho facial, observar exposição dentária, avaliar flacidez e definir se o caso pede estímulo de colágeno ou apenas acompanhamento”, afirma.
Além do cuidado técnico, clínicas que estruturam protocolos específicos para pacientes em processo de emagrecimento tendem a ganhar previsibilidade e reduzir retrabalho. “Existe oportunidade, mas ela precisa ser conduzida com responsabilidade. Crescimento sem critério pode gerar insatisfação e desgaste de marca”, pontua.

A especialista aponta cinco cuidados para evitar exageros na harmonização após emagrecimento rápido
Antes de indicar qualquer procedimento, é essencial considerar que a anatomia facial foi modificada pela perda de gordura. A seguir, cinco pontos conectados que orientam decisões mais seguras.
- Aguardar estabilização do peso
Procedimentos devem ser indicados somente após a fase intensa de emagrecimento, evitando correções repetidas e distorções progressivas.
- Reavaliar proporções e dinâmica muscular
Análise fotográfica comparativa e estudo do sorriso ajudam a evitar excesso de volume e assimetrias.
- Priorizar estímulo gradual de colágeno
Bioestimuladores podem ser alternativa mais conservadora em rostos afinados, favorecendo firmeza sem sobrecarga de preenchimento.
- Escolher profissionais habilitados
Verificar formação específica em anatomia facial, registro ativo no conselho profissional e portfólio técnico reduz riscos.
- Alinhar expectativas com clareza
Explicar limites técnicos e resultados possíveis fortalece a confiança e evita frustrações.
Segundo a mentora, o objetivo não é recuperar o rosto anterior ao emagrecimento. “Cada fase corporal traz uma nova identidade. A harmonização deve respeitar essa transformação, buscando equilíbrio e não exagero”, conclui.
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