A incorporação da inteligência artificial (IA) ao cotidiano das pequenas e médias empresas (PMEs) tem avançado de forma consistente nos últimos anos, impulsionada pela promessa de ganhos de eficiência, melhoria na tomada de decisão e aumento da competitividade. No entanto, especialistas apontam que a distância entre o potencial tecnológico e os resultados efetivos ainda é significativa, sobretudo quando a adoção ocorre sem planejamento estratégico ou maturidade organizacional.
Uma revisão sistemática e bibliométrica publicada em 2025 na revista científica F1000Research analisou a produção acadêmica internacional sobre a adoção de IA em PMEs entre 2020 e 2024. O estudo identificou um crescimento expressivo do interesse científico no tema e concluiu que a inteligência artificial pode atuar como um vetor relevante de inovação e competitividade, desde que integrada de forma estruturada à gestão empresarial.
Segundo a pesquisa, os estudos se concentram em três eixos principais: a inovação impulsionada por IA, com aplicações como automação de processos e análises preditivas; o uso da tecnologia como suporte à tomada de decisão empreendedora; e os fatores organizacionais e institucionais que funcionam como barreiras ou facilitadores da adoção. Um ponto central destacado pelos autores é que os benefícios da IA não são automáticos e dependem de capacidades internas das empresas.
Para Robson Luis Magnani, consultor estratégico especializado em modernização tecnológica e governança corporativa para pequenas e médias empresas, os resultados do estudo refletem com precisão o que se observa na prática. “A pesquisa deixa claro que a inteligência artificial não gera valor por si só. Ela precisa estar conectada à estratégia do negócio, aos processos internos e à capacidade de decisão da liderança”, afirma.
Magnani explica que muitas PMEs iniciam a adoção de IA por meio de ferramentas pontuais, sem uma visão sistêmica. “O estudo mostra que, quando a tecnologia é usada apenas de forma isolada, os ganhos tendem a ser limitados. O que faz diferença é a integração da IA à rotina gerencial, à leitura de dados e ao planejamento estratégico”, observa.
Outro aspecto ressaltado pela pesquisa é o papel do capital humano e da governança. De acordo com a revisão, empresas que investem em capacitação, organização de dados e clareza decisória conseguem transformar a IA em um instrumento efetivo de inovação. Para Magnani, esse é um dos principais gargalos enfrentados pelas PMEs. “Existe tecnologia disponível, mas falta preparo organizacional. A IA exige método, processos bem definidos e liderança capaz de interpretar e agir sobre as informações geradas”, afirma.
Com mais de 25 anos de experiência profissional, Robson Magnani construiu sua trajetória atuando em cargos técnicos, comerciais e de gestão em grandes empresas, antes de direcionar sua carreira para a consultoria estratégica. Nos últimos anos, tem se dedicado à avaliação de modelos de negócio, estruturação organizacional e apoio à modernização tecnológica de pequenas e médias empresas, além de atuar em conselhos consultivos e processos de governança corporativa.

Na avaliação do consultor, um dos pontos mais relevantes do estudo é a constatação de que a maior parte das pesquisas ainda se concentra em países desenvolvidos. “O trabalho evidencia uma lacuna importante quando se trata de economias emergentes. As PMEs nesses contextos enfrentam restrições específicas, como acesso limitado a capital, infraestrutura digital e qualificação técnica, o que exige abordagens diferentes”, destaca.
A pesquisa também chama atenção para a necessidade de alinhar a adoção de IA a objetivos de longo prazo. Segundo Magnani, esse alinhamento é decisivo para que a tecnologia contribua efetivamente para a competitividade. “A inteligência artificial amplia a capacidade analítica das empresas e melhora a qualidade das decisões, mas só cumpre esse papel quando está inserida em um projeto claro de modernização e crescimento”, afirma.
Ao consolidar evidências acadêmicas e apontar limites ainda presentes na adoção de IA, o estudo publicado na F1000Research reforça a importância de uma abordagem estratégica e gradual. Para especialistas como Robson Magnani, o desafio das pequenas e médias empresas não está apenas em adotar novas tecnologias, mas em desenvolver as estruturas gerenciais e organizacionais capazes de transformar inovação em resultados sustentáveis.
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