Do sertão nordestino ao terreiro de umbanda, a Pérola Negra levou para a avenida a trajetória de Maria Bonita. Sexta escola a desfilar neste domingo, a agremiação apresentou o enredo “Valei-me Cangaceira Arretada, Maria que Abala a Gira, Valente e Bonita que Vence Demanda”, desenvolvido pelo carnavalesco André Machado.
A narrativa percorreu diferentes fases da personagem, partindo do cangaço histórico até sua consagração espiritual. O conjunto mostrou coerência entre alegorias, fantasias e proposta temática, sustentado por boa harmonia e evolução regular ao longo do desfile.

A comissão de frente, coreografada por Alê Batista, encenou o confronto entre policiais e cangaceiros. A apresentação dramatizou a perseguição sofrida por Maria Bonita, com momentos de embate físico que deram intensidade à encenação. Em um dos quadros mais marcantes, a personagem riscou a faca no chão do Anhembi, simbolizando resistência e enfrentamento.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Natália e Kawe, executou os movimentos obrigatórios com precisão. Representando Maria Bonita e Lampião, a dupla apresentou sincronismo e postura firme, mantendo conexão direta com o enredo e boa resposta nos módulos de julgamento.

No quesito musical, a escola manteve canto consistente durante toda a passagem. O carro de som, conduzido por Lucas Donato e Juan Briggs, sustentou a energia da apresentação, com crescimento perceptível nas bossas, especialmente no trecho “o povo do samba te aplaude nesse cortejo de fé”, que impulsionou o canto coletivo.

A evolução foi constante, com componentes desfilando soltos e ocupando bem a pista. A agremiação encerrou o desfile em 58 minutos, dentro do tempo regulamentar, demonstrando controle do andamento até o final.

As fantasias facilitaram a leitura do enredo, combinando elementos do cangaço com referências espirituais ligadas à personagem. A ala de passistas trouxe colorido vibrante, enquanto setores posicionados após o terceiro carro reforçaram o impacto visual.

O conjunto alegórico apresentou bom acabamento. O abre-alas destacou-se com uma grande escultura de Lampião, enquanto a última alegoria mostrou Maria Bonita em seu terreiro, consolidando a passagem da figura histórica para entidade cultuada na umbanda.

O samba-enredo, assinado por Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Chico Maia, Mateus Pranto, Fabian Juarez e Salgado Luz, teve fácil assimilação e favoreceu o canto da comunidade, tornando-se um dos pilares do rendimento da escola.

Entre os destaques individuais, Joyce Rocha apareceu segura à frente da bateria, interagindo bem com o ritmo. A bateria, por sua vez, manteve regularidade durante todo o percurso, garantindo sustentação musical consistente para a apresentação da escola no Grupo de Acesso 1.
Foto: Liga SP
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