A primeira noite do Grupo Especial do Rio de Janeiro, não foi morna. Foi intensa. Teve escola que confirmou favoritismo, teve quem surpreendeu de verdade e teve quem deixou sinal de alerta aceso. A Sapucaí estava crítica, atenta e participativa.
Na avenida passaram e todas, sem exceção, causaram algum tipo de surpresa.
Acadêmicos de Niterói
Enredo: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”

Niterói entrou com coragem. Escola recém chegada ao Grupo Especial, muitos olhares desconfiados. Mas a resposta veio na avenida.
Visualmente fantástica. Impactante. A comunidade cantando firme, com orgulho, sustentando cada setor. Pequenos detalhes de acabamento apareceram, sim. Uma escultura aqui que poderia estar mais refinada, um ponto ou outro que poderia ter mais capricho. Mas o conjunto foi forte.
A escola passou muito bem. Surpreendeu. E mostrou que não quer ser coadjuvante.
O presidente Wallace Palhares pode sair satisfeito. Sua comunidade respondeu. E respondeu grande.

Imperatriz Leopoldinense
Enredo: “Camaleônico”, sobre Ney Matogrosso

A Imperatriz fez o que se esperava dela. Passou linda, organizada, segura.
E surpreendeu justamente por não surpreender mais do que isso. Foi exatamente o que imaginávamos. Carros muito bem acabados. Fantasias luxuosas. Harmonia firme. O chão da comunidade leopoldinense deu um verdadeiro show.
O enredo sobre veio forte, especialmente no último setor. A escola cresceu no final e arrancou muitos aplausos. Ney é de fato camaleônico. Ícone. Artista que atravessa gerações. A Imperatriz conseguiu traduzir isso visualmente.
O trabalho leva a assinatura de Leandro Vieira. Ele entende de narrativa e acabamento. É hoje um dos grandes nomes do Carnaval.
Imperatriz fez desfile de escola que sabe competir.

Portela
Enredo: “O Mistério do Príncipe do Bará”

A expectativa era alta. Muito alta.
A Portela tinha um enredo potente, simbólico, forte culturalmente. Mas a escola surpreendeu em não surpreender positivamente. Buracos visíveis. Evolução irregular em alguns momentos. Acabamentos que não estavam no padrão que a azul e branca costuma apresentar.
O carro de som sofreu. E sofreu muito com a ausência de Gilsinho. Ele fazia diferença. Ele empurrava. Ele era praticamente um carro de som inteiro sozinho. A comunidade sentiu. A avenida percebeu.
E é preciso falar com franqueza. O atual intérprete está deixando a desejar. Falta potência. Falta aquele comando vocal que arrepia. Esperamos que a Portela encontre uma voz que chegue no mínimo próximo à força de Gilsinho, porque uma escola desse tamanho exige presença vocal à altura.
Agora, justiça seja feita.
A bateria Tabajara, sob o comando do Mestre Vitinho, foi impecável. Ritmo preciso, segura, pulsante. Junto com a rainha Bianca Monteiro, estremeceram a Sapucaí. Ali houve potência. Ali houve padrão de campeã.
Portela precisa ajustar detalhes. Porque tradição ela tem de sobra.

Estação Primeira de Mangueira
Enredo: “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”

Mangueira fechou a noite com ancestralidade, espiritualidade e força simbólica.
Passou bonita. Organizada. Mas ficou a sensação de que dava para ir além. Esperávamos mais canto coletivo, mais explosão emocional da comunidade da verde e rosa.
A ala musical foi um espetáculo à parte. A bateria comandada por Mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, foi impecável. Ritmo preciso, segura, pulsante. Entregou potência e vibração. Com a rainha Evelyn Bastos, a Sapucaí respondeu.
E um destaque especial para a musa mirim Lua Miranda. Lindíssima. Carisma natural. Presença de quem já entende a avenida. Sem sombra de dúvidas, o futuro do samba está ali.
Mangueira não decepcionou. Mas deixou aquele gostinho de que poderia ter sido ainda maior.

E é preciso reconhecer.
A Liesa deu um show para o público. O som estava ótimo. A introdução antes de cada escola, apresentando o enredo e preparando a plateia como quem anuncia o início de um grande espetáculo, trouxe entretenimento para quem aguardava nas arquibancadas e camarotes. Organização, ritmo e respeito ao público.
Foi só a primeira noite.
E já teve emoção, excelência, cobrança e debate. Se o começo foi assim, o restante promete ser ainda mais intenso. A Sapucaí está viva. E 2026 já mostrou que não vai ser um Carnaval morno.
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