Durante décadas, o imaginário empresarial brasileiro associou crescimento internacional à moeda americana. Expandir para fora do país significava, quase automaticamente, faturar em dólar. Essa narrativa foi repetida por gerações como se fosse uma regra estrutural do mercado global. Na prática, porém, especialistas apontam que essa visão está mais ligada a uma tradição cultural do que necessariamente a uma análise jurídica e institucional aprofundada.
Essa reflexão aparece no livro Internacionalizando — Sem se Enterrar, Apenas Acertar, com lançamento previsto para 17 de março de 2026, no qual a empresária e consultora internacional Flavia Gomes propõe uma análise mais técnica sobre os caminhos da internacionalização empresarial. Para a autora, escolher o dólar como destino padrão pode funcionar como símbolo de expansão, mas nem sempre representa a estratégia mais sólida do ponto de vista estrutural.
Segundo Flavia, optar por pular o dólar e estruturar negócios diretamente em libra esterlina não significa rejeitar determinados mercados, mas compreender que moeda representa muito mais do que poder de compra. Ela reflete sistemas legais, bancários e regulatórios que determinam o nível de previsibilidade e segurança institucional de uma operação.
Ao analisar o ambiente empresarial do Reino Unido, a autora destaca que a libra deve ser entendida como resultado de um sistema jurídico consolidado. No modelo britânico, contratos são executados com precisão, deveres fiduciários são claramente definidos e o relacionamento bancário depende da coerência entre atividade declarada, operação real e estrutura societária.
Para a consultora, o processo de internacionalização começa antes mesmo da escolha do país ou da moeda. Ele passa pela estrutura do próprio negócio. Entre as perguntas que precisam ser respondidas estão: a empresa sobrevive sem a presença direta do fundador? Existe faturamento recorrente? Há separação formal entre pessoa física e jurídica? Existe um nível mínimo de governança corporativa estabelecido?
Sem essas bases, segundo ela, mudar de moeda ou de jurisdição não elimina riscos estruturais.
Dentro desse contexto, a escolha pela libra passa a representar previsibilidade institucional. Embora o ambiente britânico seja conhecido por suas exigências regulatórias, ele também oferece clareza jurídica. Para empresários que pensam no longo prazo, essa previsibilidade tende a ser mais relevante do que um crescimento acelerado em ambientes menos estruturados.
Flavia também chama atenção para um equívoco recorrente entre empresários em processo de expansão internacional: confundir exposição com consolidação. Aumento rápido de faturamento em determinados mercados pode gerar resultados imediatos, mas nem sempre garante elegibilidade bancária, proteção patrimonial ou estabilidade empresarial no longo prazo.
“A pergunta correta não é onde se ganha mais. É onde se permanece melhor”, afirma a autora.
Ao defender que sistema precede simbolismo, o livro posiciona a internacionalização como um exercício de maturidade estratégica. Nesse cenário, pular o dólar deixa de ser visto como um gesto de rebeldia empresarial e passa a representar um cálculo institucional baseado em estrutura, governança e previsibilidade.
O livro estará disponível na plataforma da Amazon em versão digital (Kindle) e também em edição física em capa dura, com entregas internacionais realizadas pela própria plataforma.
A empresa Alohabrazilian também prepara sua primeira agenda institucional presencial no Brasil, com encontros voltados a empresários, profissionais e instituições interessados em discutir temas ligados à estrutura empresarial, governança e internacionalização responsável.
O contato para marcação de agenda é: midia@alohabrazilian.co.uk
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