Por Redação
O avanço das ondas de calor, a instabilidade no sistema energético e o aumento constante das tarifas de eletricidade colocaram o Brasil diante de um ponto de inflexão: a moradia do futuro deixou de ser um “plus” tecnológico e passou a ser uma exigência urbana. Automação, integração com energia renovável, monitoramento de consumo e materiais de alto desempenho já não representam inovação — são o novo padrão mínimo de eficiência.
Para entender como essa transformação está ocorrendo dentro do setor, a reportagem entrevistou o engenheiro e especialista em materiais João Rafael da Silva Casas, referência na aplicação de tecnologias inteligentes em projetos residenciais de alto padrão.
Casas participou de empreendimentos que alcançaram reduções expressivas no uso de energia da rede, chegando a até 80% de economia, além de eliminar mais de 90 toneladas de CO₂, números validados por equipes técnicas envolvidas nos projetos. “A tecnologia deixou de ser um acessório”, afirma. “Hoje, ela é a infraestrutura que define se uma casa será sustentável ou custosa, eficiente ou vulnerável.”
Casas que aprendem, respondem e economizam
O engenheiro atuou desde a fase inicial de concepção arquitetônica até a especificação dos materiais e equipamentos que formam o ecossistema da residência inteligente. Entre eles estão painéis solares de alta eficiência, sistemas de climatização automatizados (HVAC), sensores de presença, iluminação preditiva, baterias residenciais e soluções integradas que conectam energia, dados e automação.
Um dos projetos mais emblemáticos, realizado ao lado de arquitetos reconhecidos, utilizou uma estrutura de telhado composta por OSB (Oriented Strand Board), manta TPO (Thermoplastic Polyolefin) e placas fotovoltaicas de última geração. O conjunto uniu estética arquitetônica, durabilidade e alto desempenho energético — uma combinação ainda rara no mercado brasileiro.
João Casas compara a residência moderna a um organismo vivo: “Ela é um sistema de múltiplas camadas, onde design, tecnologia e engenharia precisam conversar.”
Da resistência cultural ao impacto financeiro
Se, por um lado, o país dispõe de tecnologia, profissionais qualificados e demanda crescente, por outro ainda enfrenta uma barreira cultural. “O mercado precisa aprender que casas inteligentes não são para ricos”, provoca o engenheiro. “São para quem não quer desperdiçar energia — e ninguém deveria querer.”
A adoção de sistemas mais eficientes também se tornou, segundo ele, uma decisão econômica. Imóveis conectados e autossustentáveis se valorizam mais, custam menos para operar e apresentam maior durabilidade dos componentes internos. “A casa inteligente é a única que faz sentido econômico no longo prazo; caso contrário, teremos imóveis obsoletos e com alta manutenção”, diz.
O Brasil precisa acelerar
Analisando mercados internacionais, o especialista ressalta que a eficiência energética já é tratada como requisito básico em países mais avançados. No Brasil, o desafio é encurtar essa distância. “Temos tecnologia e conhecimento. Falta articulação e compreensão de que eficiência não é estética — é necessidade social e urbana.”

Para os próximos anos, a tendência é que o país veja crescer um novo tipo de moradia: conectada, sustentável, responsiva e baseada em dados. Casas que funcionam mesmo quando ninguém está olhando.
Não se trata mais de prever quando essas soluções chegarão ao cotidiano. Elas já chegaram. A pergunta, agora, é quem estará preparado para construí-las — e quem continuará ligado a um modelo que já não dialoga com a realidade.
Fonte:
Formado em Engenharia Metalúrgica pela FEI e com MBA pela FGV, João Rafael da Silva Casas acumula mais de 18 anos de experiência em engenharia industrial, eficiência energética, sistemas complexos e desenvolvimento imobiliário. Trabalhou na Sandvik/Alleima, CSN, Eleva In-Haus e Rioman. É CEO da GRB Construtora, em São Paulo, e integra a American Management Association.
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