Isolamento sensorial, privação de estímulos e pressão intensa podem deixar marcas na saúde mental dos participantes
O quarto branco voltou ao centro das atenções no BBB 26 não apenas como um recurso de impacto do jogo, mas como uma experiência capaz de provocar efeitos reais e profundos na saúde mental de quem passa por ele. A dinâmica, marcada por isolamento extremo, escassez de estímulos e pressão psicológica constante, vem sendo apontada por especialistas como um fator que coloca os participantes em clara desvantagem emocional ao retornarem para a convivência com os demais brothers.
Diferente de provas físicas ou castigos tradicionais, o quarto branco atua diretamente sobre o campo emocional. A ausência de cores, a limitação de interação, a incerteza sobre o tempo de permanência e a sensação permanente de vigilância criam um cenário que pode desencadear ansiedade, angústia e perda de referência. Em um contexto de confinamento prolongado, esse tipo de experiência tende a potencializar fragilidades emocionais já existentes.
Segundo Gláucia Santana, psicanalista, hipnoterapeuta clínica e especialista em regulação emocional, com atuação voltada à reprogramação de padrões emocionais, o impacto do quarto branco não se restringe ao período vivido ali. “O cérebro humano precisa de referências externas para se organizar emocionalmente. Quando essas referências são retiradas de forma abrupta, como acontece nesse tipo de confinamento, o organismo entra em estado de alerta constante, o que pode gerar ansiedade intensa, confusão mental e sensação de desamparo”, explica.
Ao deixar o quarto branco, o participante não retorna ao jogo nas mesmas condições emocionais dos demais. A vivência costuma deixar resíduos psíquicos que influenciam comportamento, tomadas de decisão e relações dentro da casa. “Quem passa por esse isolamento extremo volta mais vulnerável, mais reativo e emocionalmente exausto. Isso interfere diretamente na forma como a pessoa se posiciona, se comunica e reage no jogo”, afirma Gláucia.
A especialista ressalta que a desvantagem não é apenas emocional, mas também estratégica. “Enquanto os outros seguem observando o jogo, criando alianças e se fortalecendo emocionalmente, quem está no quarto branco vive uma ruptura interna. Ao retornar, precisa gastar muita energia para se reorganizar, enquanto os demais continuam em ritmo normal”, pontua.
Outro aspecto frequente após a saída é o surgimento de sentimentos como frustração, insegurança e medo de novas punições. Esses estados emocionais podem comprometer a espontaneidade e a clareza nas relações. “Muitas vezes, a pessoa passa a agir de forma defensiva, com dificuldade de confiar e de se expressar com autenticidade, o que afeta tanto o desempenho no jogo quanto a própria saúde emocional”, observa.
Gláucia Santana alerta ainda que experiências desse tipo podem gerar efeitos prolongados, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com histórico de ansiedade. “Mesmo sendo um reality show, o cérebro não distingue totalmente o que é jogo do que é ameaça real. O corpo reage como se estivesse em perigo, e isso pode deixar marcas que ultrapassam o tempo do programa”, destaca.
O debate em torno do quarto branco no BBB 26 reforça a importância de enxergar essas dinâmicas não apenas como entretenimento, mas como experiências psicológicas intensas. Para quem passa por esse tipo de confinamento, o desafio não se limita a continuar no jogo, mas envolve também o processo de reconstrução emocional em um ambiente já marcado por pressão constante.
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