Empresário transformou uma operação mínima em um provedor regional estruturado, com milhares de clientes e crescimento sustentável na Grande São Paulo
Hoje, as empresas lideradas por Rafael Lourenzetto Camargo atendem cerca de 4.700 clientes, registram um faturamento bruto mensal próximo de R$ 380 mil e operam uma das estruturas regionais mais robustas de internet e tecnologia na Grande São Paulo. Pouco mais de uma década atrás, a realidade era oposta. A empresa que ele havia fundado estava endividada, com crédito comprometido, poucos funcionários e risco concreto de encerrar as atividades.
Essa distância entre o quase colapso e a estabilidade atual ajuda a explicar por que sua trajetória se consolidou como um case de reconstrução empresarial, mais do que uma história linear de crescimento. Fundador da Newertech Soluções Tecnológicas em 2006, Rafael viveu ciclos intensos de expansão acelerada, retração severa e reinvenção até estruturar um modelo sustentável, fora do eixo das grandes capitais e distante de soluções imediatistas.
“Eu já tinha vivido crescimento rápido e queda brusca. Quando precisei recomeçar, sabia que não dava mais para avançar sem entender o risco de cada decisão”, afirma.
Crescimento acelerado e vulnerabilidade estrutural
A Newertech nasceu com foco em projetos personalizados de tecnologia para empresas de diferentes segmentos, especialmente redes de alimentação. O modelo funcionou bem nos primeiros anos. A empresa cresceu rapidamente, chegou a quase 50 colaboradores diretos e indiretos e passou a atender clientes em diversos estados, com presença dentro de grandes shoppings centers de São Paulo.
O avanço trouxe visibilidade e faturamento, mas também criou dependência de grandes contratos corporativos. Quando a crise econômica atingiu setores como a indústria automotiva, em 2011, o impacto foi imediato. O setor de tecnologia foi um dos primeiros a sofrer cortes, contratos foram encerrados e a base de clientes encolheu rapidamente.
Entre 2011 e 2012, a empresa entrou em seu período mais delicado. A sociedade foi desfeita, a estrutura foi reduzida ao mínimo e a sobrevivência do negócio passou a ser prioridade absoluta. Rafael decidiu recomprar a parte do sócio com apoio financeiro dos pais e assumir integralmente a gestão, mesmo com capital limitado e dívidas acumuladas.

A virada começa com uma solução simples
Sem recursos para manter o modelo original, Rafael precisou repensar completamente a atuação da empresa. A mudança começou a partir de um problema cotidiano. Um vizinho questionou se seria possível compartilhar a internet da casa via rede sem fio. A pergunta revelou uma demanda latente em regiões com acesso caro, instável ou inexistente à conexão.
A partir daí, Rafael mergulhou em estudos sobre redes wireless, roteamento e infraestrutura de baixo custo. A operação começou de forma improvisada, na casa dos pais, com antenas instaladas na laje e planos de velocidade modestos. Nos primeiros meses, a cobrança era feita manualmente, porta a porta.
“Não havia espaço para plano bonito. Ou a tecnologia funcionava com pouco recurso, ou o negócio não continuaria”, relembra.
Quando a base chegou a cerca de 50 clientes, ficou claro que aquilo não era mais um improviso. Nascia o embrião da NT Online, provedora de internet que se tornaria o principal eixo de crescimento do grupo.
Estrutura mínima, foco total na operação
O início da NT Online foi marcado por decisões pragmáticas. A estratégia envolveu cortar custos fixos ao máximo, operar com equipe enxuta e reinvestir todo o caixa na própria estrutura. Com um escritório de aproximadamente 10 m², poucos funcionários e uma torre de transmissão instalada em área residencial, a operação começou a ganhar escala.
O crescimento pressionou a empresa a buscar regularização junto à Anatel. O processo foi longo, caro e marcado por perdas financeiras com consultorias que não entregaram o serviço prometido. Mesmo assim, Rafael manteve o foco na regularização e na recuperação do crédito da empresa e do próprio nome, que permaneceram negativados por anos.
Durante esse período, a prioridade não era acelerar o crescimento, mas equilibrar operação, caixa e dívida. A estratégia permitiu que a empresa atravessasse anos de instabilidade sem repetir os erros do passado.
Um cliente que redefiniu o patamar do negócio
O ponto de inflexão veio em 2012, quando Rafael foi procurado por um gerente de um outlet da região que enfrentava sérios problemas de conectividade. A proposta fugiu ao padrão de mercado. Se a solução não funcionasse, não haveria cobrança. Se funcionasse, o contrato seguiria.
A solução funcionou. O serviço inicial se transformou em um relacionamento de longo prazo que se tornaria o principal case da trajetória do empresário. Ao longo dos anos, a estrutura tecnológica do cliente cresceu de forma exponencial, envolvendo centenas de computadores, dezenas de caixas operando em tempo real, centenas de câmeras de segurança, múltiplos servidores, links redundantes e redes segmentadas.
Rafael passou a responder não apenas pela conectividade, mas pela arquitetura completa de tecnologia, segurança da informação e gestão de risco do cliente. O relacionamento, mantido por mais de uma década, consolidou um modelo de prestação de serviço baseado em parceria, planejamento e longo prazo.
A aposta mais arriscada
Com a operação estabilizada e cerca de 1.200 clientes ativos em 2016, a empresa entrou em uma nova fase. A fibra óptica começava a se consolidar como padrão de mercado, mas exigia investimentos elevados. Rafael decidiu avançar mesmo carregando as marcas da crise.
A decisão mais criticada foi a contratação de um capital de giro de aproximadamente R$ 650 mil para viabilizar a transição para fibra óptica. A aposta contrariou opiniões externas, mas foi acompanhada de planejamento detalhado e da contratação de um consultor financeiro para reorganizar processos, fluxo de caixa e estrutura administrativa.
“Muita gente achou que era loucura assumir aquele compromisso financeiro, mas ficar parado também era um risco que eu já conhecia”, afirma.
Em pouco mais de um ano, a base de clientes dobrou, dívidas antigas foram quitadas e o empréstimo foi liquidado antes do prazo. O antigo escritório deu lugar a um data center próprio, preparado para suportar dezenas de milhares de clientes.

Os números por trás da virada
Atualmente, o grupo liderado por Rafael Lourenzetto Camargo apresenta indicadores que refletem a consolidação do negócio:
- cerca de 4.700 clientes ativos
- crescimento médio mensal constante de novas instalações
- faturamento bruto próximo de R$ 380 mil mensais
- aproximadamente 45 colaboradores diretos e indiretos
- frota própria com veículos operacionais
- centenas de quilômetros de rede de fibra óptica implantados
- operação presente em diversas cidades da Grande São Paulo
Além da NT Online, a Newertech voltou a ampliar sua atuação em projetos corporativos de redes, servidores e cibersegurança, diversificando receitas e reduzindo a dependência de um único modelo de negócio.
O empreendedor no centro da equação
Com o amadurecimento da operação, Rafael reduziu gradualmente sua atuação técnica no dia a dia para assumir um papel mais estratégico. Separou finanças pessoais das empresariais, estruturou governança e passou a planejar ciclos mais longos de crescimento.
“Em algum momento, precisei parar de ser o técnico que resolve tudo e passar a ser o gestor que garante que as coisas funcionem sem ele”, diz.
No horizonte, estão planos para o futuro que envolvem a aquisição de uma sede própria, expansão territorial e aumento da capacidade operacional. A meta é crescer sem repetir erros do passado, sustentando a expansão em planejamento financeiro, controle de risco e estrutura sólida.
Ao olhar para trás, a trajetória revela que o crescimento não veio de uma ideia isolada ou de atalhos, mas da combinação entre domínio técnico, decisões difíceis e disposição para recomeçar quando o cenário exigiu. “O que sustenta o crescimento não é a tecnologia em si, mas a capacidade de aprender rápido e corrigir antes que o erro fique grande demais”, conclui.
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