Entre plumas impecavelmente estruturadas, bordados dourados e uma silhueta que mistura western couture com fantasia celestial, Roxy Rocket surge como uma visão etérea no carnaval — mas com os pés firmes no asfalto da cultura pop brasileira. O look, composto por body branco com aplicações barrocas em ouro, botas over the knee cravejadas e asas monumentais, é mais do que figurino: é manifesto.
A estética flerta com o imaginário angelical clássico, mas é atualizada com referências fashion precisas. O chapéu branco, adornado em dourado, adiciona uma camada country glam inesperada, criando uma narrativa visual que equilibra delicadeza e poder. A maquiagem — pele polida, olhos intensos esfumados e lábios nude estruturados — reforça a imagem de uma divindade contemporânea que conhece a força do próprio olhar.

Nas imagens, a performance é tão importante quanto o styling. Em uma pose, Roxy encara a câmera com imponência silenciosa; em outra, aponta diretamente para o espectador, quebrando a quarta parede e convidando o público a fazer parte da fantasia. O resultado são fotografias com acabamento editorial, que transitam entre o estúdio minimalista e a energia vibrante da avenida.

Mais do que estética, há discurso. A figura do “anjo” no carnaval simboliza liberdade, transformação e arte como instrumento de celebração coletiva. Ao vestir asas, Roxy Rocket reafirma o lugar da drag queen como protagonista da cultura brasileira contemporânea — não apenas no entretenimento, mas na moda, na performance e na construção de identidade.

Em tempos em que o carnaval se reinventa a cada temporada, Roxy entrega uma imagem que dialoga com o espetáculo e com a alta moda. É fantasia, é editorial, é cultura pop.
E, se o paraíso existe, nesta temporada ele tem plumas, salto agulha e assinatura autoral.
