A testosterona deixou de ser um assunto restrito ao universo esportivo e passou a ocupar espaço nas discussões sobre saúde, longevidade e qualidade de vida. Dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS/DATASUS) mostram que a procura por exames de testosterona total na rede pública saltou de cerca de 390 mil em 2015 para aproximadamente 1,44 milhão em 2024 — um crescimento de 269% na última década. O movimento acompanha o aumento do interesse da população em investigar sintomas como cansaço, queda de desempenho físico, baixa libido e alterações de humor.
Mas afinal, a testosterona é uma aliada ou pode se tornar uma vilã?
Muito além da masculinidade
Embora culturalmente associada ao universo masculino, a testosterona é um hormônio fundamental também para as mulheres. Ela participa da regulação da disposição, da libido, da manutenção de massa muscular, da saúde óssea e até do equilíbrio emocional.
Segundo o nutricionista Everton Bottega, referência nacional em nutrição esportiva, níveis otimizados do hormônio impactam diretamente a energia, a motivação e a performance física. Em mulheres, especialmente no período de pré-menopausa ou após uso prolongado de anticoncepcionais hormonais, a queda da testosterona pode estar associada a sintomas como fadiga, perda de força e redução do desejo sexual.
Declínio natural e estilo de vida
A partir dos 35 anos, é esperado que ocorra uma redução fisiológica dos níveis de testosterona. No entanto, o estilo de vida tem papel decisivo na velocidade e intensidade desse declínio.
Qualidade do sono, prática regular de exercícios — especialmente treinos de força e alta intensidade — e alimentação equilibrada são pilares para a manutenção hormonal. Sono fragmentado, excesso de álcool, dieta rica em ultraprocessados e sedentarismo, por outro lado, podem comprometer a produção natural do hormônio.
A chamada “medicina do estilo de vida” tem ganhado força justamente por integrar esses fatores antes de considerar intervenções medicamentosas.
Baixa testosterona e riscos metabólicos
A deficiência hormonal não impacta apenas a performance esportiva ou a estética corporal. Níveis baixos de testosterona podem favorecer o acúmulo de gordura visceral — aquela concentrada na região abdominal — associada a maior risco cardiovascular.
Estudos recentes indicam que a deficiência do hormônio pode estar relacionada ao aumento do risco metabólico, contrariando a crença antiga de que apenas níveis elevados representariam perigo. O equilíbrio, portanto, é o ponto central.
Performance e acompanhamento especializado
Para quem busca melhora de desempenho físico e hipertrofia muscular, a testosterona é um fator determinante. Quando os níveis estão inadequados, pode haver dificuldade em ganhar massa muscular, perda de força e redução da motivação para treinar.
Especialistas alertam, porém, que qualquer intervenção deve ser baseada em exames laboratoriais e avaliação clínica individualizada. A automedicação e o uso indiscriminado de hormônios sem acompanhamento podem trazer riscos sérios à saúde, incluindo alterações hepáticas, cardiovasculares e hormonais irreversíveis.
Saúde em primeiro lugar
O aumento expressivo na realização de exames no Brasil demonstra que a população está mais atenta ao tema. A testosterona não é vilã — mas também não é solução isolada.
A chave está no equilíbrio: avaliação adequada, correção de hábitos de vida e, quando necessário, acompanhamento multiprofissional envolvendo nutricionista e médico.
Mais do que buscar performance estética, o objetivo deve ser preservar saúde, energia e qualidade de vida ao longo dos anos.

Everton Bottega é nutricionista, graduado em Educação Física e Nutrição, com especialização em Nutrição Esportiva e Comportamental. Proprietário da Clínica Espaço Bottega, é ex-atleta multicampeão de fisiculturismo e autor do livro NOW: Natureza da Sabedoria. Já atendeu mais de 35 mil pacientes e reúne formação em coaching, PNL e treinamento comportamental, com imersões internacionais ao lado de Tony Robbins.
Fonte: Everton Bottega | @evertonbottega
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