Modelo de ensino reduz tempo de formação e mira público que interrompeu os estudos ao longo da carreira
O ensino superior brasileiro atingiu 9,98 milhões de matrículas em 2023, com alta de 5,6% em relação ao ano anterior. A educação a distância já representa 49,3% dos alunos e deve ultrapassar o ensino presencial nos próximos ciclos, segundo dados do Inep e do Semesp. Foi nesse movimento, impulsionado sobretudo por estudantes mais velhos, que Tiago Zanolla, ex-servidor do Judiciário e professor de concursos públicos, decidiu construir um novo modelo de negócio.
Após mais de uma década no serviço público e uma trajetória de 15 anos no ensino para concursos, com mais de 2 milhões de alunos, o professor passou a observar um padrão recorrente. Parte relevante desse público conseguia avançar profissionalmente, mas esbarrava na exigência de diploma ou na dificuldade de concluir uma graduação tradicional. “A gente via pessoas preparadas, mas travadas por um modelo que não conversa com a rotina de quem já está no mercado de trabalho”, afirma.
A partir dessa leitura, surgiu a UFEM Educacional, edtech que atua como um hub digital conectando alunos a instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação. O foco está em um público que interrompeu os estudos ou busca uma segunda graduação, com soluções que encurtam o tempo até a formação sem alterar as exigências acadêmicas. Hoje, com dois anos de existência, a empresa conecta mais de 21 mil alunos e registra faturamento anual de cerca de R$ 20 milhões.
O problema que virou modelo
O crescimento do ensino superior no Brasil não eliminou um desafio estrutural: a permanência. Dados do Mapa do Ensino Superior 2025 mostram que a taxa de desistência acumulada na rede privada chegou a 61,3% entre 2019 e 2023, chegando a 64,1% nos cursos EAD. Para Zanolla, o dado expõe um desalinhamento entre o modelo tradicional e a vida adulta. “O acesso aumentou, mas o sistema ainda expulsa muita gente no meio do caminho. Tempo, custo e burocracia continuam sendo barreiras reais”, diz.
A proposta da UFEM parte de uma lógica diferente. Em vez de operar como instituição de ensino, a empresa organiza a jornada do aluno por meio de tecnologia, dados e parcerias com faculdades credenciadas, responsáveis pela certificação. O modelo permite oferecer graduação acelerada, cursos técnicos, pós-graduação e EJA em formato digital. São mais de 3.000 cursos no portfólio.
“Se a legislação exige carga horária e não tempo fixo, o modelo pode ser reorganizado. A educação não precisa levar quatro anos para todo mundo”, afirma o fundador.
Na prática, a empresa atua como uma camada intermediária entre aluno e instituição, funcionando como um marketplace educacional. A UFEM concentra captação, experiência e distribuição, enquanto as universidades parceiras mantêm a responsabilidade acadêmica e regulatória.
Crescimento com estrutura enxuta
A estratégia também passa por um modelo operacional mais leve. Sem corpo docente próprio, a empresa reduz custos fixos e amplia escala com mais rapidez. Segundo Zanolla, a operação saiu de um faturamento inicial de R$80 mil para cerca de R$20 milhões ao ano desde o início das atividades.
“A gente não construiu uma faculdade, construiu uma forma de acessar faculdades. Isso muda completamente a lógica de crescimento”, afirma.
O avanço ocorre em um setor cada vez mais concentrado na iniciativa privada. Hoje, 79,3% das matrículas estão em instituições privadas, que também concentram a maior parte da oferta em EAD. Ao mesmo tempo, o perfil do estudante mudou. O próprio Mapa do Ensino Superior mostra que a faixa etária acima dos 60 anos foi a que mais cresceu na modalidade a distância, com aumento de 672% em dez anos.
Para o fundador, esse dado reforça a tese central do negócio. “Existe um contingente enorme de pessoas que não tiveram acesso na idade tradicional ou que precisaram interromper os estudos. Esse público não desapareceu, ele só estava fora do modelo.”

Os próximos passos
A empresa agora aposta na ampliação do ecossistema, conectando alunos a novas trilhas de formação ao longo da carreira. A ideia é aumentar o tempo de relacionamento e transformar a educação em uma jornada contínua, e não em uma decisão pontual.
Outra frente envolve parcerias com criadores de conteúdo e especialistas, que passam a integrar programas educacionais à própria base de alunos, ampliando o alcance e o valor gerado por usuário.
“A educação não é lenta por natureza. O acesso foi desenhado de forma lenta durante muito tempo. O que a gente está fazendo é reorganizar esse caminho”, diz Zanolla.
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