No próximo 30 de agosto, o Largo da Candelária, no coração do Rio de Janeiro, será tomado por espiritualidade, arte e mobilização social. Trata-se do Vigílias pela Terra, encontro promovido pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) que une diferentes tradições religiosas, movimentos sociais e artistas em um só propósito: fortalecer ações diante da crise climática.
O evento é gratuito, começa às 15h, e promete ser um marco ao trazer para a rua um diálogo entre fé, cultura e justiça ambiental. Entre as atrações confirmadas estão Jongo da Serrinha, Kaê Guajajara, Xangai, Jonathan Ferr, Coral Guarani da Aldeia de Mata Bonita, Ana Bispo, Bela Ciavatta, Doralyce, Hugo Ojuara, Matriarcado de Oya, Edgar Duvivier e Olivia Byington, além de outros nomes que darão o tom artístico e espiritual da mobilização.

As Vigílias pela Terra não são novidade. Em 1992, durante a ECO-92, no Aterro do Flamengo, 30 mil pessoas participaram da primeira edição inter-religiosa chamada Um Novo Dia para a Terra. Naquele momento histórico, líderes como Dalai Lama, Dom Helder Câmara e Mãe Beata de Iemanjá marcaram presença. O encontro deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e foi registrado no documentário Uma Noite Pela Terra.
Agora, mais de 30 anos depois, o projeto volta com força total, percorrendo as cinco regiões do Brasil até chegar à COP 30, que acontece em novembro, em Belém do Pará. Depois do Rio, as vigílias passarão ainda por Manaus (06/09), Natal (13/09), Recife (11/10) e terão sua culminância no grande encontro inter-religioso durante a conferência mundial do clima.
Para Clemir Fernandes, Diretor Adjunto do ISER, a presença das religiões nessa luta é essencial:
“Em 1992 a vigília foi um diferencial político e espiritual na luta ambiental. Mais de três décadas depois, as tradições espirituais podem aportar um despertamento ético fundamental para que tomadores de decisão sejam ousados e eficazes no cumprimento de metas contra a crise climática.”
Já Isabel Pereira, Coordenadora de Meio Ambiente e Religião do ISER, destaca a importância da mobilização popular:
“Apesar das limitações das negociações na conferência, a COP 30 é a chance de levar esse debate a mais pessoas. A população precisa estar convencida da urgência e do poder transformador que sua mobilização pode gerar, principalmente a partir dos seus territórios.”

A COP 30 será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém, e deve reunir líderes mundiais, cientistas, movimentos sociais e representantes da sociedade civil em busca de soluções para a crise climática. O Vigílias pela Terra chega como um chamado: unir espiritualidade, cultura e mobilização coletiva em defesa do planeta.
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