Procedimento químico pode afetar cabelos, couro cabeludo e vias respiratórias, especialmente quando feito sem informação clara sobre os produtos usados
Durante sua passagem por Dubai, Virginia chamou atenção ao relatar nas redes sociais que, após ir a um salão de beleza, percebeu que seu cabelo poderia ter passado por um processo semelhante à progressiva. O comentário rapidamente repercutiu entre fãs e levantou questionamentos sobre os riscos desse tipo de procedimento, tanto para a saúde capilar quanto para o organismo como um todo.
Do ponto de vista capilar, o alerta é claro. O especialista em transplante capilar e queda de cabelo Vlassios Marangos explica que progressivas, especialmente aquelas com fórmulas agressivas ou de procedência desconhecida, podem causar danos importantes aos fios e ao couro cabeludo.
“Muitos alisamentos utilizam substâncias químicas fortes que alteram a estrutura do fio. Quando esse processo não é bem indicado ou feito sem critério, pode haver ressecamento intenso, quebra, afinamento do cabelo e até inflamação do couro cabeludo, o que favorece quadros de queda capilar”, afirma.
Segundo ele, procedimentos realizados fora do país merecem atenção redobrada. “Nem sempre o cliente tem clareza sobre o produto que está sendo aplicado. Fórmulas proibidas em alguns países ainda circulam em outros mercados, o que aumenta o risco tanto estético quanto de saúde”, completa.
Além dos impactos nos cabelos, o cheiro forte percebido por Virginia durante o atendimento também acende um alerta respiratório. A otorrinolaringologista Renata Mori destaca que o odor intenso não é apenas desagradável, mas pode indicar liberação de vapores tóxicos.
“O cheiro forte da progressiva não é apenas um desconforto momentâneo. Muitos desses produtos liberam vapores irritantes, principalmente quando aquecidos, que podem provocar inflamação das vias respiratórias, ardência no nariz e na garganta, tosse, sensação de aperto no peito, falta de ar e dor de cabeça”, explica.
De acordo com a médica, pessoas com histórico de problemas respiratórios estão ainda mais vulneráveis. “Quem tem rinite, sinusite ou asma corre riscos maiores ao inalar esses vapores. As vias aéreas já são mais sensíveis e o contato pode desencadear crises alérgicas, broncoespasmo e piora significativa da respiração”, alerta Renata Mori.
A dermatologista Camila Sampaio, de Salvador, chama atenção para os impactos diretos desses produtos na pele e no couro cabeludo. “O couro cabeludo é uma região altamente vascularizada e sensível. Produtos de progressiva podem causar dermatites, queimaduras químicas, coceira intensa, descamação e até queda de cabelo por inflamação local. Em alguns casos, os danos não são imediatos e aparecem semanas depois do procedimento”, explica.
Ela reforça que a repetição ou a aplicação inadequada agrava os riscos. “Quando há reaplicações frequentes ou uso de substâncias não regulamentadas, o risco de lesão crônica aumenta, comprometendo tanto a saúde do fio quanto a integridade da pele”, completa.
A otorrinolaringologista Renata Mori ressalta que o corpo costuma dar sinais claros durante o procedimento e que eles não devem ser ignorados. “Ardor intenso nos olhos, nariz ou garganta, tosse persistente, chiado no peito, tontura, náusea ou dificuldade para respirar são sinais de alerta. Nessas situações, o ideal é interromper imediatamente o procedimento e ir para um ambiente bem ventilado”, orienta.
Para Vlassios Marangos, o episódio reforça a importância da informação e do acompanhamento profissional. “Antes de qualquer procedimento químico, é fundamental saber exatamente o que será aplicado. O cabelo até cresce novamente, mas danos ao couro cabeludo e à saúde podem deixar consequências mais duradouras”, pontua.
O relato de Virginia reacende um debate necessário sobre os limites entre estética e saúde. Questionar, pedir explicações e respeitar os sinais do corpo são atitudes essenciais para evitar que um procedimento de beleza se transforme em um problema médico.
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