Especialistas apontam que decisões cirúrgicas são planejadas com foco em identidade, longevidade e posicionamento pessoal
O Brasil segue entre os maiores mercados globais de cirurgia plástica, com mais de 2,3 milhões de procedimentos estéticos realizados por ano, segundo os dados mais recentes divulgados pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). O país permanece entre os líderes do ranking mundial, ao lado dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, pesquisas acadêmicas da Princeton University indicam que julgamentos sobre confiança e competência podem ser formados em frações de segundo a partir da aparência.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que decisões estéticas passaram a ser planejadas com foco estratégico, especialmente entre profissionais com alta exposição pública.
Dra. Danielle Gondim, cirurgiã plástica, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, afirma que o perfil do paciente mudou. “Hoje, quem procura cirurgia facial não quer mudar de rosto, quer manter a própria identidade ao longo do tempo. Existe um planejamento por trás, que envolve carreira, exposição e até reposicionamento de imagem”, diz.
Esse tipo de abordagem tem ganhado força entre executivos, empreendedores e profissionais liberais, cuja imagem está diretamente associada à reputação. A percepção de vitalidade, segundo estudos de comportamento, influencia a leitura de credibilidade em ambientes corporativos e negociais.
Procedimentos como o lifting facial profundo, conhecido como Deep Plane Facelift, exemplificam essa mudança. A técnica atua nas camadas mais profundas da face, reposicionando músculos e gordura para um resultado mais duradouro e natural. Ao contrário de intervenções superficiais, a proposta é preservar traços enquanto corrige sinais do envelhecimento.
A especialista explica que o planejamento cirúrgico passou a considerar fatores que vão além da estética. “Não é uma decisão impulsiva. Avaliamos o momento de vida do paciente, sua rotina, o tempo de recuperação e principalmente o impacto na imagem profissional. É quase um projeto de longo prazo”, afirma.
Esse movimento também impulsiona a busca por intervenções combinadas, respeitando proporções e características individuais. A blefaroplastia, por exemplo, corrige excesso de pele e bolsas nas pálpebras, melhorando não apenas a aparência, mas também aspectos funcionais da visão. Quando associada a outros procedimentos, como lifting de sobrancelhas, tende a gerar um resultado mais harmônico.
Para a médica, o maior risco está na padronização estética. “O erro mais comum é tentar seguir um padrão. Isso compromete a naturalidade e pode gerar um efeito artificial, que vai contra o objetivo de quem busca fortalecer a própria imagem”, diz. Ela acrescenta que a técnica deve ser adaptada à estrutura facial de cada paciente, respeitando idade, expressão e histórico.
Ao mesmo tempo, clínicas passaram a estruturar serviços mais completos, com diagnóstico detalhado e planejamento personalizado. Esse modelo amplia a percepção de valor e fortalece a confiança do paciente. “Não se trata apenas da cirurgia em si, mas de todo o processo. O resultado começa muito antes do procedimento”, explica.

Segundo a especialista, empresas já observam esse movimento, principalmente em setores nos quais a imagem do líder impacta diretamente a percepção da marca. “A construção de autoridade passa por vários fatores, e a imagem é um deles. Quando bem conduzida, essa escolha pode reforçar coerência e confiança”, afirma.
O avanço das técnicas e a mudança no comportamento dos pacientes indicam que a cirurgia plástica segue um caminho mais estratégico e menos padronizado. Mais do que alterar a aparência, a proposta passa a ser preservar identidade e acompanhar o envelhecimento de forma planejada.
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