Dr. Saul Dalla explica como mudança na rotina, hábitos posturais e retomada da atividade física influenciam a saúde da coluna
O começo do ano costuma ser marcado por novos planos, retomada da rotina e promessas de mudança de hábitos. No entanto, para muitas pessoas, esse período também traz um aumento significativo das dores nas costas, especialmente na coluna lombar e cervical. Viagens longas, excesso de tempo sentado, mudanças bruscas na rotina e até o estresse acumulado do fim de ano ajudam a explicar esse cenário, que se reflete diretamente no aumento da procura por atendimento médico especializado.
Segundo Dr. Saul Dalla, neurocirurgião com ampla experiência no tratamento de coluna, dor e crânio, esse padrão é recorrente e tem explicação clínica bem definida.
“É comum observar aumento de queixas de dor lombar e cervical no início do ano. Mudanças de rotina, estresse acumulado e exposições atípicas (viagens, cargas físicas diferentes do habitual) tendem a desencadear ou exacerbar sintomas musculoesqueléticos. Estudos epidemiológicos demonstram que fatores psicossociais (estresse, falta de sono, mudanças de rotina) estão associados à maior prevalência de lombalgia episódica e recorrente.”
De acordo com o médico, entre os principais mecanismos envolvidos nesse aumento estão o maior nível de tensão muscular provocado pelo estresse e pela má ergonomia, o descondicionamento físico após períodos de menor atividade e a permanência prolongada em posturas inadequadas, como sofás, bancos de carro e ambientes improvisados.
As longas horas de deslocamento típicas das festas de fim de ano também têm papel importante nesse processo. Permanecer sentado por muito tempo, sem suporte adequado, pode desencadear ou agravar dores na coluna, sobretudo nas regiões lombar e cervical.

“Permanecer sentado por longos períodos com suporte inadequado e vibrações (em carros e ônibus) ou imobilidade prolongada (em avião) pode precipitar ou agravar dores na coluna, especialmente em regiões lombar e cervical.” afirma o profissional.
Entre os problemas mais observados nessa época estão distensões musculares, sobrecarga de tecidos moles, irritação das articulações da coluna, rigidez articular e, em alguns casos, sintomas de radiculopatia em pessoas que já apresentam hérnias discais de forma latente.
Outro ponto de atenção surge logo após o recesso, quando muitas pessoas decidem iniciar ou retomar atividades físicas de forma intensa. Segundo o especialista, esse retorno sem preparo adequado pode representar risco para a coluna.
“Iniciar ou retomar atividade física após período de inatividade sem progressão adequada de carga aumenta o risco de lesões musculoesqueléticas, incluindo lombalgia e cervicalgia.”
Fatores como falta de condicionamento prévio, aumento súbito da intensidade do treino, execução incorreta de exercícios e ausência de aquecimento ou fortalecimento do core estão entre as principais causas de dor nesse contexto.
Apesar da ideia de que o descanso ajuda a aliviar os sintomas, o médico alerta que nem todo tipo de descanso é benéfico para a coluna. O excesso de tempo no sofá, o uso prolongado do celular e as más posturas podem ter efeito contrário.
“Depende da forma como o descanso é utilizado. Enquanto períodos de recuperação ativa (caminhadas, alongamentos leves, sono de qualidade) tendem a reduzir a dor, períodos prolongados de inatividade e posturas estáticas inadequadas podem aumentar tensão muscular e rigidez articular, perpetuando ou agravando a dor.”
O Dr. Saul Dalla relata que, o conceito de descanso ativo é fundamental para a prevenção e o alívio das dores, sendo mais eficaz do que longos períodos de imobilidade.
Por fim, o especialista destaca que nem toda dor nas costas é passageira. Alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica especializada logo no início do ano.
“Alguns sinais de alerta (‘red flags’) que sugerem necessidade de avaliação especializada incluem dor persistente por mais de quatro a seis semanas, sintomas com piora progressiva, perda de força, dormência, perda de peso inexplicada, febre, dor noturna intensa que não melhora com repouso e disfunção urinária/intestinal, este último podendo indicar síndrome da cauda equina, uma emergência médica.”
O início do ano pode ser um momento estratégico para rever hábitos, ajustar a rotina e cuidar da saúde da coluna, evitando que pequenas dores se transformem em problemas crônicos ao longo dos meses.
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