O avanço das mulheres no setor de consórcios redesenha as estratégias de investimento, unindo escuta ativa e planejamento de longo prazo para consolidar o produto como uma ferramenta de inteligência patrimonial e autonomia
Por décadas, o mercado financeiro foi um território de vozes predominantemente masculinas e decisões centralizadas. No entanto, uma mudança poderosa vem transformando a lógica do setor. Na linha de frente dessa virada, consultoras utilizam o planejamento patrimonial não apenas como meta de vendas, mas como ferramenta de autonomia e impacto social.
A presença feminina no setor tem alterado a forma como se fala de dinheiro, menos imposição, mais escuta; menos promessa, mais planejamento; menos produto, mais estratégia. Na Monteo, empresa voltada à assessoria em consórcios, essa transformação aparece na prática, cinco profissionais exemplificam como essa abordagem, baseada na escuta e na estratégia de longo prazo, está ressignificando o produto. A empresa foi fundada por Juciel Oliveira, especialista em estratégias de alavancagem patrimonial por meio de consórcios, que acompanha de perto a evolução do papel das mulheres no setor. “As mulheres trouxeram para o mercado de consórcios uma mudança de mentalidade muito importante. O foco deixa de ser apenas vender uma cota e passa a ser entender o projeto de vida do cliente, estruturando uma estratégia financeira real”, afirma o empresário.
A escuta como diferencial técnico
A diferença entre um “vendedor de cotas” e um estrategista reside na capacidade de ouvir. Para Amanda Tanno Garcia, 25 anos, de Maringá (PR), o consórcio exige responsabilidade com o sonho alheio. Ela recorda um casal que chegou ao seu atendimento desacreditado após experiências frustrantes. “Eles precisavam de rapidez para a casa própria. Estruturamos uma estratégia personalizada com seis cartas de crédito e todas foram contempladas no mesmo mês”, relata. Mais do que o resultado técnico, o que marcou Amanda foi a restauração da confiança da família no sistema financeiro.

A presença feminina também traz um olhar atento a perfis muitas vezes negligenciados. Aline Sanches, 40 anos, de Marialva (PR), ilustra isso com a história de uma cliente recém-divorciada que nunca havia liderado suas próprias decisões financeiras. Ao direcionar uma renda de arrendamento para uma carta de consórcio, a cliente foi contemplada na quinta parcela e obteve um lucro de R$ 60 mil na venda da cota. “Com esse recurso, ela quitou um financiamento, trocou de carro e iniciou um novo planejamento para um apartamento”, conta Aline. O episódio revela que, quando mulheres orientam mulheres, o impacto financeiro frequentemente se converte em segurança emocional.

Visão global e construção de legado
Essa mudança de mentalidade de “compra parcelada” para “alavancagem de patrimônio” é o que move Asenate Melchiori, 34 anos, de Marialva (PR). Especialista em atender brasileiros que vivem no exterior, ela percebeu que o consórcio é a engrenagem que faltava para quem deseja construir patrimônio no Brasil, mas não sabe por onde começar. “O que diferencia aposta de construção é o planejamento”, define.

Essa visão de futuro também aparece no relato de Thatiele Viegas, 34 anos, de Maringá (PR), ao atender uma aposentada de 65 anos. “No início, fiquei receosa de comprometer a renda dela, mas entendi que aquele gesto representava o cuidado em deixar algo sólido para os filhos. O consórcio se conecta com histórias de vida, não apenas números”, pontua.

Da democratização ao método
Para Cíntia Araújo, 40 anos, de Marialva (PR), o consórcio é, acima de tudo, uma ferramenta de democratização de crédito. Com passagens pelo setor bancário, ela destaca que o erro mais comum do mercado é tratar o produto como uma simples parcela, ignorando seu potencial de geração de renda passiva. “Entrar em um consórcio sem planejamento pode transformar uma ferramenta de compra inteligente em uma dor de cabeça financeira”, alerta Cíntia. Ao longo da sua experiência, ela percebeu que o consórcio vai além da aquisição de um bem. “Ele ajuda a realizar sonhos transformando-os em um compromisso financeiro planejado.”

Na prática, isso significa tirar o sonho do campo da intenção e colocá-lo dentro de uma estratégia estruturada, com método, acompanhamento e visão de longo prazo. Segundo as profissionais, o acompanhamento estratégico é o que separa o sucesso da frustração. Para o fundador da Monteo, essa mudança também revela uma transformação cultural no próprio mercado financeiro. “Quando a venda é substituída pela orientação, o consórcio deixa de ser visto apenas como uma forma de compra parcelada e passa a ser compreendido como uma ferramenta de planejamento patrimonial”, afirma.
Mais do que ocupar espaço
O crescimento da presença feminina no setor comercial reflete também uma mudança na forma como o mercado financeiro se relaciona com os clientes. Na Monteo, a atuação das consultoras é baseada em um modelo de atendimento consultivo, que busca alinhar as decisões financeiras aos objetivos de longo prazo dos clientes.
Para essas profissionais, o avanço feminino na área representa não apenas uma conquista individual, mas também uma transformação na forma de conduzir negociações e orientar clientes. Ao conectar vendas com planejamento patrimonial, elas demonstram que o setor de consórcios também pode ser um espaço de protagonismo, desenvolvimento profissional e impacto direto na organização financeira de diferentes perfis de investidores.
Suas trajetórias mostram que o protagonismo feminino também se constrói em planilhas, metas e decisões conscientes, e que autonomia financeira é, cada vez mais, uma pauta liderada por mulheres.
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