Variações recentes do câmbio e custo elevado do crédito no país reforçam a necessidade de diversificação e estrutura internacional para proteger patrimônio
A oscilação do dólar frente ao real ao longo dos últimos meses, somada ao custo ainda elevado do crédito no Brasil, tem exposto uma fragilidade recorrente entre empresários brasileiros: a ausência de planejamento patrimonial estruturado para lidar com ciclos econômicos e variações cambiais. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o volume aplicado por investidores pessoas físicas no país chegou a R$ 8,5 trilhões em 2025, evidenciando o crescimento do patrimônio financeiro e a necessidade de decisões mais sofisticadas de alocação.
Fernanda Spanner, consultora de negócios internacionais e CEO da Spanner Consulting Group, afirma que o problema não está na volatilidade cambial em si, mas na forma como empresas e investidores organizam seus recursos. “O câmbio sempre vai oscilar. O que define o impacto disso é o nível de estrutura patrimonial. Quem depende de um único país ou de uma única moeda fica mais exposto a qualquer variação”, afirma.
Segundo os dados mais recentes disponíveis do Banco Central, referentes a 2024, brasileiros mantinham US$ 654,5 bilhões em ativos no exterior, movimento que reflete a busca por diversificação e proteção cambial. Para a especialista, esse número tende a crescer à medida que empresários passam a olhar o patrimônio de forma mais estratégica. “Muitos empresários ainda concentram recursos no próprio negócio ou em poucos ativos locais. Isso aumenta o risco quando o cenário muda”, diz.
A movimentação recente do câmbio, com períodos alternados de queda e valorização, tem levado empresas a revisarem estruturas financeiras e decisões de longo prazo. Na avaliação da executiva, o comportamento ainda é majoritariamente reativo. “O empresário costuma agir depois do impacto. O ideal é estruturar antes, com visão de longo prazo e base técnica”, afirma.
A diversificação geográfica tem se consolidado como uma das principais estratégias de proteção patrimonial. Ao distribuir recursos em diferentes países e moedas, o empresário reduz a dependência de um único ambiente econômico e amplia as possibilidades de acesso a mercados mais estáveis. “Ter parte do patrimônio fora do Brasil não é apenas uma estratégia de crescimento, mas de proteção. É uma forma de equilibrar riscos”, afirma.
Apesar do avanço desse movimento, a falta de planejamento estruturado ainda é um entrave, especialmente entre empresas familiares. A ausência de organização patrimonial pode gerar exposição excessiva a riscos financeiros e até comprometer a continuidade do patrimônio ao longo das gerações.
A especialista ressalta que a internacionalização patrimonial exige conhecimento técnico e atenção às regras fiscais e regulatórias. “Não se trata apenas de enviar recursos para o exterior. É preciso entender legislação tributária, acordos internacionais e as estruturas jurídicas adequadas para cada perfil. Quando isso é feito corretamente, o patrimônio ganha segurança e previsibilidade”, explica.
Ela aponta que momentos de oscilação cambial podem ser usados como ponto de partida para reorganizar a estrutura financeira e reduzir riscos de concentração.
Entre os principais cuidados, destaca a importância de distribuir recursos entre diferentes instituições financeiras, o que reduz a dependência de um único intermediário e limita o impacto de eventuais problemas operacionais ou regulatórios. Na sequência, a diversificação entre classes de ativos também aparece como estratégia relevante, já que diferentes investimentos reagem de maneiras distintas a mudanças econômicas.
Outro ponto central é a avaliação da exposição internacional, considerada uma camada adicional de proteção. Ao manter parte do patrimônio em outras economias, o empresário reduz riscos associados a instabilidades locais e amplia oportunidades de investimento.
A organização tributária também é destacada como elemento essencial. Estruturar investimentos dentro das regras fiscais brasileiras e internacionais permite maior eficiência e evita riscos jurídicos no futuro.
Por fim, o planejamento sucessório ganha relevância em patrimônios mais robustos. A ausência de estrutura pode gerar conflitos e comprometer a continuidade do patrimônio ao longo das gerações.

Para a especialista, a principal mudança necessária é cultural. “O patrimônio precisa ser tratado com o mesmo nível de estratégia que o negócio. Não é uma decisão pontual, é um processo contínuo de organização, proteção e crescimento”, afirma.
Ela conclui que a volatilidade cambial deve continuar fazendo parte do cenário econômico global. “Quem estrutura o patrimônio antes das oscilações consegue atravessar períodos de instabilidade com muito mais segurança e previsibilidade”, diz.
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