Com o calendário de 2026 comprimido por feriados, empresas sem processo comercial previsível entram no segundo trimestre mais expostas a oscilações de receita
Embora 2026 tenha 365 dias, parte relevante desse período não se traduz em atividade comercial plena. São 52 sábados, 52 domingos e uma distribuição de feriados que, em vários casos, reduz os dias úteis ao longo dos meses. Na prática, isso encurta o tempo disponível para geração de receita e aumenta a pressão sobre o planejamento das empresas.
É nesse contexto que o segundo trimestre começa como um teste de consistência para negócios que atravessaram o início do ano sem estruturar a geração de demanda. O calendário oficial publicado pelo governo federal reúne dez feriados nacionais e nove dias de ponto facultativo, o que comprime ainda mais as janelas comerciais.
Ao mesmo tempo, o varejo brasileiro renovou recorde recente de atividade, com avanço no volume de vendas no início do ano, segundo o IBGE, sinal de que há consumo em movimento, mas não espaço para improviso na captura dessa demanda.
Ray Gonçalves, empresária, mentora de empresários e fundadora da Geração de Demanda, consultoria especializada em crescimento empresarial, marketing e vendas, afirma que é justamente nesse ponto que aparece uma falha silenciosa em parte das empresas. “Muita empresa entra no segundo trimestre querendo recuperar o que não vendeu no início do ano, mas sem ter organizado canal de aquisição, rotina comercial e previsibilidade de receita. A pressão cresce, mas a base continua frágil”, diz.
O diagnóstico encontra eco em levantamentos recentes do Sebrae. Pesquisa com pequenos negócios mostra que aumentar vendas segue como o principal desafio para empresas brasileiras, ao lado de dificuldades relacionadas à gestão financeira e planejamento. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que muitos negócios avançam no ano sem previsibilidade de receita e com baixa capacidade de reação.
Na leitura da especialista, o problema de quem chega ao segundo trimestre sem demanda estruturada não é apenas vender menos. É decidir mal. Sem clareza sobre origem dos leads, taxa de conversão, tempo de fechamento e capacidade do time comercial, o empresário perde referência para investir, contratar e sustentar margens. “Quando a empresa não sabe de onde virão as próximas vendas, ela passa a operar no susto. Isso compromete caixa, encarece a aquisição de clientes e força decisões reativas”, afirma.
Esse ponto ganha peso porque o próprio ambiente de vendas está mais exigente. Relatórios recentes de mercado indicam que crescimento previsível depende cada vez mais de processos estruturados, integração entre marketing e vendas e uso consistente de dados ao longo da jornada comercial.
Para Ray, o segundo trimestre apenas torna visível uma deficiência que vinha sendo acumulada. “A empresa que depende só de campanha pontual, indicação ou impulso de datas específicas não tem geração de demanda.
Ela tem episódios de venda. São coisas diferentes”, diz. Segundo ela, negócios mais preparados entram nesta fase do ano com calendário comercial antecipado, comunicação ativa e rotina de acompanhamento, enquanto outros tentam corrigir a operação já sob cobrança por resultado.
Há, porém, espaço para ajuste de rota. Empresas que reorganizam a estratégia ainda neste período conseguem recuperar parte do desempenho ao longo do ano. Isso passa pela construção de um processo contínuo de geração de demanda, reduzindo a dependência de ações isoladas.
A especialista aponta cinco caminhos para estruturar a geração de demanda e reduzir a pressão por metas no segundo semestre
Antes de avançar para ações táticas, é necessário ajustar a base da operação. Empresas que crescem de forma previsível compartilham pontos em comum que vão desde clareza de público até consistência na comunicação e no processo comercial.
- Definir com precisão quem é o cliente e qual dor a empresa resolve
Empresas que tentam falar com todos os públicos acabam dispersando investimento e reduzindo eficiência. A recomendação é mapear perfil de cliente, ticket médio, objeções recorrentes e critérios de decisão antes de ampliar investimento. “Sem proposta de valor clara, a comunicação não gera interesse qualificado”, afirma. -
Organizar um funil com métricas que permitam prever receita
Não basta contar contatos recebidos. É preciso acompanhar origem dos leads, taxa de conversão e tempo médio de fechamento. Esse controle reduz dependência de picos de venda e melhora a previsibilidade. “Previsibilidade vem de processo, não de volume”, diz. -
Integrar marketing e vendas para evitar desperdício de esforço
A desconexão entre áreas segue como um dos principais gargalos. Quando não há alinhamento, aumenta o volume de contatos pouco qualificados e diminui a eficiência comercial. A integração permite melhorar conversão e reduzir custo de aquisição. -
Contratar apoio com foco em método e não apenas em execução
Ao buscar agências de marketing, o empresário se decepciona porque a agência não foca na margem do negócio e gasta com investimento em anúncios sem medir o retorno. E, em um ano mais difícil, o empresário não pode se dar ao luxo de errar na geração de receita. Por isso, Ray recomenda a busca por uma consultoria séria, que acompanhe de perto os indicadores e saiba corrigir a rota em tempo hábil para evitar problemas de caixa. -
Antecipar o calendário comercial para reduzir a pressão por resultados
Com feriados e períodos de menor atividade ao longo do ano, empresas que planejam com antecedência conseguem distribuir melhor seus esforços. Isso reduz a pressão por metas concentradas em janelas curtas e melhora o desempenho ao longo do ano.

Para Ray Gonçalves, o principal benefício de estruturar a geração de demanda está na previsibilidade. Com um fluxo constante de oportunidades, empresas conseguem melhorar a gestão de caixa, tomar decisões com mais segurança e sustentar crescimento ao longo do tempo. “Quando a empresa organiza a demanda, ela deixa de reagir ao mês e passa a construir resultado com consistência”, afirma.
O alerta é direto. Em 2026, a diferença entre empresas não estará apenas no esforço, mas na estrutura. “Quem organiza a geração de demanda agora entra no segundo semestre com mais controle. Quem não faz isso continua refém do calendário e da pressão por meta”, conclui.
As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e podem não necessariamente expressam a opinião deste portal.
É expressamente proibido cópia, reprodução parcial, reprografia, fotocópia ou qualquer forma de extração de informações do site EGOBrazil sem prévia autorização por escrito, mesmo citando a fonte. Cabível de processo jurídico por cópia e uso indevido, esse conteúdo pode conter IA.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.



