Especialista aponta que excesso de objetivos e falta de coerência entre áreas da vida estão por trás da queda de desempenho e do esgotamento profissional
O modelo tradicional de definição de metas, baseado em volume, pressão constante e múltiplas frentes simultâneas, tem produzido um efeito colateral crescente nas empresas: profissionais mais cansados, decisões mais lentas e resultados menos consistentes. O que deveria impulsionar performance tem se transformado em um dos principais fatores de desgaste corporativo.
Elainne Ourives, psicanalista e especialista em reprogramação mental, afirma que o problema não está na ambição por resultados, mas na forma como as metas são estruturadas e vividas no dia a dia. “A maioria das pessoas define muitas metas e termina exausta, com a sensação de que não saiu do lugar. O problema não é falta de vontade, é falta de alinhamento”, diz.
O cenário encontra respaldo em dados recentes. Levantamento do Instituto Cactus em parceria com o Datafolha, divulgado em 2024, mostra que 72% dos brasileiros se sentem emocionalmente sobrecarregados, enquanto 63% associam sintomas de ansiedade diretamente ao trabalho. Na prática, isso impacta foco, produtividade e capacidade de decisão dentro das empresas.
Segundo a especialista, o ponto crítico está na incoerência entre diferentes áreas da vida e da rotina profissional. “Quando você tenta prosperar em uma área, mas está desalinhado internamente em outra, tudo trava. Dinheiro trava, relacionamentos travam, saúde trava. O cérebro entra em estado de defesa, e não de criação”, afirma.
Esse desequilíbrio, ainda pouco discutido nas estratégias corporativas, ajuda a explicar por que equipes com alto volume de metas nem sempre apresentam alta performance. Um estudo da Gallup indica que equipes engajadas são até 21% mais produtivas, enquanto ambientes de pressão constante tendem a reduzir eficiência e aumentar o turnover.
Para Elainne, a saída passa por uma mudança de lógica: reduzir o número de metas e aumentar o nível de coerência entre elas. É nesse ponto que surge o conceito das três metas centrais, que, quando alinhadas, passam a sustentar todas as demais áreas.
“Existem três metas-chave que, quando ajustadas corretamente, reorganizam todo o resto. Elas não competem entre si, elas se sustentam. Quando entram em coerência, a mente para de sabotar, a energia se estabiliza e as decisões ficam mais claras”, explica.
A especialista afirma que o erro mais comum das empresas está em tentar escalar resultados sem revisar a base emocional e estratégica das equipes. A cobrança por desempenho, quando desconectada da capacidade real de execução, tende a gerar paralisia e não crescimento. “Muitos líderes ainda acreditam que pressão gera resultado, mas o que ela gera é bloqueio. O cérebro sob ameaça perde clareza, criatividade e capacidade de inovar”, diz.
Na prática, empresas que revisam a forma como estruturam metas começam a perceber ganhos que vão além da produtividade. A redução de retrabalho, maior previsibilidade nos resultados e melhora no clima organizacional aparecem como consequências diretas desse alinhamento.

Outro ponto de atenção está na cultura de valorização do excesso. Profissionais que entregam além do limite continuam sendo reconhecidos, mesmo quando isso compromete sua saúde e sustentabilidade no longo prazo. “O excesso de produtividade é socialmente validado. A pessoa é elogiada por estar sempre disponível, mas internamente está colapsando. Quando o descanso gera culpa, o limite já foi ultrapassado”, afirma.
A proposta de reorganização por meio das três metas também se conecta a um movimento mais amplo nas empresas, que buscam crescimento com maior previsibilidade e menor desgaste operacional. Isso inclui desde a revisão de indicadores até a forma como líderes conduzem suas equipes.
Para a especialista, a mudança começa por uma decisão estratégica. “Não se trata de fazer menos, mas de fazer com coerência. Quando existe alinhamento, o esforço deixa de ser pesado e passa a ser direcionado. Resultado sustentável não vem de excesso, vem de clareza”, conclui.
Ao reposicionar a lógica de metas, empresas conseguem transformar um dos principais pontos de pressão em um dos maiores vetores de eficiência, criando ambientes mais produtivos, estáveis e preparados para crescer sem comprometer a saúde das equipes.
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