A atriz e produtora Mayara Mariotto retorna aos palcos de São Paulo no dia 28 de fevereiro com o espetáculo “Pietà – Um Fractal de Memórias”, em curtíssima temporada na SP Escola de Teatro (Unidade Roosevelt). No texto de Marcelo Novazzi, com direção de Paulo Gabriel, Mayara interpreta Carol, uma jovem que compõe o mosaico de lembranças do protagonista Pedro (Dan Rosseto) em uma noite de Natal nos anos 80. Ambientada em um cenário de traumas e depressão, a peça utiliza fragmentos de memória para ressignificar dores do passado.
Carol é uma jovem estudante da USP, solar e apaixonante, que representa um porto seguro para Pedro até que o isolamento e a morbidez da depressão dele tornassem a relação insustentável. Segundo a atriz, a decisão de sua personagem em se afastar foi um ato de sobrevivência e amor-próprio: “Acredito que, quando a Carol desiste desse relacionamento é porque, além de não aguentar mais ver o Pedro sofrer com a depressão, quando ele começou a beber ela sentiu que era o momento de desistir. Acredito que tenha sido aquela noção de amor-próprio, no sentido de pensar ‘sou jovem, tenho tanto para viver e ele não quer melhorar, além de me isolar da vida dele. Preciso de mais.’ E isso, para aquela época, acredito que foi bonito da parte da Carol, que sabia que, provavelmente seria julgada”, reflete.
Para a artista, o desenvolvimento em um tema tão delicado como a saúde mental é um compromisso social da arte. Mayara alerta para a perigosa normalização de situações traumáticas no cotidiano atual e a importância da escuta ativa: “Hoje temos até memes sobre abandono parental, hoje criamos piadas com situações que não deveriam jamais virar motivo de riso. Precisamos sempre estar atentos às pessoas ao nosso redor, perguntar com vontade sincera de parar para realmente ouvir e entender a resposta quando perguntamos: ‘Você está bem?’”. Ela acredita que as relações são espelhos de feridas emocionais da criança interior e que o amor, primeiro o próprio e depois o cuidado alheio, é essencial para a cura, embora reconheça que o acompanhamento profissional e clínico seja o pilar fundamental para quem enfrenta a doença.
“É um tema tão presente em nossa vida, e a saúde mental, já é um assunto que sempre pesquisei e investiguei por conta própria. Então fiquei muito feliz quando fui convidada para participar desse projeto. A primeira vez que li, senti uma angústia lendo os relatos da infância do Pedro, lembrando até da minha própria infância, mas também pensando muito no quão normalizado alguns fatos passaram a ser nos últimos anos”, reflete a artista.
A montagem promove um reencontro profissional significativo para Mayara, que divide a cena com seu ex-professor, Dan Rosseto, e com as atrizes Giselle Tigre e Giovana Yedid. Sobre a dinâmica do grupo, ela destaca a generosidade e o apoio mútuo para encenar um texto tão denso: “Trabalhar com o Dan, Giselle e Giovana tem sido um grande presente na minha vida. É um elenco incrível, amoroso e muito generoso. Nós brincamos muito uns com os outros, fazemos aquecimento juntos antes de toda apresentação e estamos sempre com a escuta aberta e atenta ao que o outro precisa no momento”.
Ao final de cada sessão, a expectativa da atriz é que o público saia tocado pela humanidade da obra, compreendendo que, apesar das dificuldades, a vida é digna de ser vivida. “Eu espero que saiam de cada apresentação com o coração aberto e tocadas na alma, de alguma forma. Que essa peça consiga mostrar que a vida não é fácil, mas é digna de ser vivida, e que apesar de tudo, vale a pena. As pessoas vão rir, vão chorar, vão se identificar nos personagens e também identificar pessoas que conhecem, nesses personagens. Que Pietà ajude a trazer mais clareza sobre a saúde mental, sobre as terapias existentes e uma experiência teatral e artística de qualidade”, finaliza a atriz.
O projeto também simboliza um passo importante na trajetória de gestão cultural da artista, já que sua empresa, a Girassol em Cena – Produções Artísticas, assina como produtora associada da montagem.
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