Início do ano expõe falhas de direção nas organizações e reforça que crescimento depende de escolhas conscientes e prioridades bem definidas
O início de 2026 evidencia um problema recorrente nas empresas brasileiras: a falta de clareza na liderança. Mesmo com metas estabelecidas e planejamento estruturado, muitos negócios ainda operam sem direção definida, o que compromete execução, alinhamento interno e resultados. A dificuldade não está na ausência de informação, mas na incapacidade de transformar estratégia em decisão prática.
Carla Martins, vice-presidente do SERAC, hub de soluções corporativas com atuação nacional, afirma que o problema começa pela falta de leitura real do momento do negócio. “Não existe crescimento consistente sem clareza. Muitos líderes começam o ano com objetivos ambiciosos, mas sem entender exatamente onde estão e o que precisa ser ajustado para chegar lá”, diz.
A ausência de direcionamento afeta diretamente a operação. Empresas passam a investir em iniciativas desconectadas, perdem produtividade e criam insegurança nas equipes. “Quando a liderança não define prioridade, o time também não consegue executar com consistência. Isso gera retrabalho, decisões contraditórias e desgaste ao longo do tempo”, afirma.
Estudos de consultorias como McKinsey e Deloitte indicam que empresas com maior clareza estratégica e alinhamento de liderança apresentam melhor desempenho financeiro e operacional, além de maior capacidade de adaptação.
Para a especialista, o início do ano é o momento mais adequado para corrigir esse desalinhamento. “O erro está em tratar o começo do ciclo apenas como definição de metas. Antes disso, é preciso revisar decisões, entender o que deve ser mantido e o que precisa ser interrompido”, explica.
Ela destaca que clareza é uma prática de gestão, não um conceito subjetivo. “Clareza é consequência de decisão. É saber priorizar, sustentar escolhas e abrir mão do que não faz sentido naquele momento”, afirma.
Ao analisar empresas que conseguem crescer com consistência, a executiva aponta que o diferencial está na capacidade de foco. “Negócios que avançam não são os que fazem mais coisas, são os que fazem as coisas certas com constância”, diz.
O especialista aponta cinco diretrizes para transformar clareza em prática e evitar decisões reativas nas empresas em 2026
A construção de clareza na liderança passa por decisões estruturadas que conectam diagnóstico, prioridade e execução. Sem esse encadeamento, empresas tendem a operar por urgência, acumulando iniciativas sem direção definida e comprometendo a consistência dos resultados ao longo do ano.
- Diagnóstico real do momento atual
Antes de definir novos objetivos, é necessário entender a situação concreta da empresa, incluindo operação, finanças, equipe e posicionamento. Sem esse mapeamento, qualquer planejamento tende a falhar na execução.
- Definição de prioridades claras e limitadas
Estabelecer poucos focos estratégicos aumenta a capacidade de execução e reduz dispersão. Empresas que tentam avançar em várias frentes ao mesmo tempo tendem a perder eficiência.
- Desdobramento da estratégia em ações práticas
Planejamento precisa ser traduzido em tarefas objetivas, com responsáveis e prazos definidos. Estratégia sem execução estruturada não gera resultado.
- Comunicação consistente com o time
A clareza precisa ser compartilhada. Equipes que entendem objetivos e critérios de decisão conseguem atuar com mais autonomia e precisão.
- Revisão contínua das decisões ao longo do ano
Acompanhamento frequente permite ajustes rápidos e reduz o risco de manter estratégias que já não fazem sentido.
Segundo a executiva, esses movimentos não dependem de mudanças complexas, mas de disciplina na gestão. “O maior erro das empresas é acreditar que clareza vem com mais informação. Na prática, ela vem com decisão”, afirma.
Ela também destaca que o apoio externo pode acelerar esse processo, desde que bem direcionado. “Muitas vezes, o líder está imerso na operação e perde a capacidade de analisar o negócio com distanciamento. Uma estrutura de apoio ajuda a organizar o raciocínio e evitar decisões impulsivas”, diz.
A escolha desse tipo de suporte, no entanto, exige critério. “Não se trata de terceirizar decisões, mas de ter um direcionamento que ajude a construir visão estratégica. A empresa continua sendo responsável pelo caminho que escolhe seguir”, afirma.

Para Carla Martins, o principal alerta para 2026 está na forma como os líderes conduzem suas escolhas. “Empresas não deixam de crescer por falta de esforço. Elas travam porque não têm direção. Quem tem clareza constrói. Quem não tem, apenas reage”, diz.
Ela conclui que o avanço sustentável depende de consciência e consistência. “Não existe chegada para quem não sabe onde está. Liderar é transformar intenção em caminho e caminho em resultado”, afirma.
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