Busca por conexão humana cresce entre consumidores e pressiona empresas a equilibrar tecnologia com experiência personalizada
A insatisfação com atendimentos automatizados cresce à medida que consumidores passam a valorizar experiências mais humanas. Dados da FGV indicam que empresas com práticas de empatia registram até 35% menos rotatividade, enquanto a Gallup aponta que equipes engajadas podem elevar em cerca de 23% a rentabilidade. A eficiência operacional, por si só, já não garante fidelização, e o contato humano volta ao centro das estratégias.
Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e professor convidado da FIA/USP, afirma que o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. “Muitas empresas confundem automação com relacionamento. Criam experiências rápidas, mas emocionalmente vazias. O cliente resolve o problema, mas não cria vínculo com a marca”, diz.
A percepção de frieza nas interações automatizadas tem impacto direto na lealdade do consumidor. Segundo ele, a maioria das pessoas ainda prefere falar com um atendente humano quando precisa resolver algo mais complexo, o que evidencia uma lacuna entre eficiência e experiência. “O que encanta de verdade é o relacionamento, é a sensação de ser ouvido, compreendido e respeitado. Tecnologia é meio, não fim”, afirma.
Na prática, empresas que priorizam apenas produtividade acabam padronizando o atendimento, o que reduz a capacidade de adaptação às necessidades individuais. Esse movimento contrasta com a crescente valorização da personalização, que já demonstra impacto financeiro relevante.
Em setores de serviços, experiências positivas ampliam taxas de retorno e recomendação de clientes, reforçando que conexão emocional também é um ativo econômico.
Além disso, a origem do problema muitas vezes está dentro das próprias organizações. “Isso não é um problema de tecnologia, é de cultura. Se a empresa não valoriza o relacionamento internamente, dificilmente vai conseguir entregar uma experiência diferente para o cliente”, afirma. Para ele, o encantamento externo é reflexo direto do ambiente interno e da forma como equipes são treinadas e lideradas.
A pressão por escala e redução de custos acelerou a adoção de chatbots, inteligência artificial e automação em canais de atendimento. Ainda assim, o especialista observa que empresas que equilibram tecnologia com humanização conseguem melhores resultados. “A inteligência artificial pode organizar e agilizar processos, mas não substitui empatia. O resultado percebido pelo cliente é sempre a soma da experiência com a emoção gerada”, diz.
Esse equilíbrio passa por decisões estratégicas que envolvem cultura, treinamento e desenho da jornada do consumidor. Segundo ele, organizações que investem em capacitação conseguem ganhos expressivos de performance, com estudos indicando melhorias superiores a 200% nos resultados de equipes que passam por programas estruturados de desenvolvimento.
O especialista aponta cinco práticas para evitar atendimentos robotizados e melhorar a experiência do cliente
Para empresas que buscam melhorar a experiência do cliente sem abrir mão da eficiência, o especialista aponta cinco práticas essenciais. Antes de aplicá-las, ele ressalta que a mudança começa pela forma como a empresa enxerga o relacionamento com o consumidor.
1. Priorizar a escuta ativa
Mais do que responder rapidamente, é fundamental compreender a real necessidade do cliente. A escuta ativa permite identificar dores ocultas, evitar retrabalho e criar uma experiência mais personalizada e eficaz.
2. Treinar equipes para interpretar emoções
Atendimento não é apenas execução de processos. Profissionais preparados conseguem perceber sinais de insatisfação, ansiedade ou urgência, ajustando a abordagem e aumentando a qualidade da interação.
3. Usar tecnologia como suporte, não como substituição
Ferramentas digitais devem agilizar o atendimento, mas não eliminar o contato humano. Quando utilizadas como apoio, permitem que a equipe tenha mais tempo e informação para oferecer um atendimento mais qualificado.
4. Personalizar interações
Evitar respostas genéricas é essencial para gerar conexão. O cliente espera ser reconhecido como indivíduo, e não tratado como mais um número dentro de um fluxo automatizado.
5. Alinhar cultura interna com a experiência do cliente
A forma como a empresa trata seus colaboradores reflete diretamente no atendimento. Equipes valorizadas tendem a se engajar mais e oferecer experiências mais consistentes e positivas.
Ao adotar essas práticas, as empresas conseguem transformar interações operacionais em experiências relevantes. Isso se traduz não apenas em satisfação, mas em recomendação espontânea e aumento do valor percebido da marca.

O principal alerta, segundo o especialista, está na falsa sensação de eficiência. “Modelos robotizados podem ser rápidos, mas raramente são memoráveis. E o cliente não se fideliza pela rapidez, mas pela forma como foi tratado”, afirma.
Na avaliação dele, o avanço da inteligência artificial não elimina a necessidade de interação humana, mas exige um reposicionamento estratégico das empresas. “O futuro não é sobre escolher entre tecnologia ou pessoas. É sobre usar a tecnologia para potencializar o humano. Quem entender isso primeiro vai construir relações mais duradouras e competitivas”, conclui.
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